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Artur Barcelos iniciou a fala lembrando que é importante pensar no impacto que o espaço e o território americano provocaram nos jesuítas que aqui chegaram para as missões. Por meio de pesquisa em cartas e relatos em diários, foi possível obter detalhes sinceros dos jesuítas sobre o que viveram e encontram aqui na América. Por isso, como lembra o professor Artur, é importante não esquecer que se trata do relato de espaço compreendido sob o ponto de vista dos jesuítas. Essa descrição do espaço fazia referência às casas, à comida, às roupas. E apontava um fenômeno interessante que ocorria com os padres: a solidão idiomática e o isolamento. “os jesuítas não tinham notícias de ninguém e suas cartas também saíam com dificuldade da América. Então foram perdendo o idioma com o tempo, mergulhados na realidade do local onde estavam”.
Em seguida, o professor André Soares tomou a palavra e destacou a importância da organização social dos guarani, frisando a diversidade deste povo indígena, que não pode ser minimizado como um único grupo humano, mas deve ter reconhecida sua diferenciação cultural. “Precisamos desmistificar o índio como o belo selvagem. Isso tira seu caráter de humanidade e até onde sabemos, todos os indígenas são homo sapiens sapiens, como nós”.
André classifica a complexa organização social guarani em quatro pontos:
- parentesco
- linearidade
- relações harmônicas e desarmônicas, de complementaridade
- terminologia e regras de casamento
O professor explica que existia nesta organização a questão do prestígio social e que pouco se fala nesses pontos quando o assunto é missões jesuíticas. E dispara: “é um erro crasso dos arqueólogos afirmar que a cultura material é a única marca histórica dos guarani”, afinal, segundo André, as diferenças se provam pelas fontes históricas e etnográficas. “O povo guarani tinha uma rede social que se ampliava por quilômetros e que se comunicava. Isso se prova por análise química da cerâmica que produziam”.