
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
A história gaúcha reconstruída a partir do mito fundador: Sepé Tiaraju

www.ihu.unisinos.br
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Da aldeia à redução
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A rede social dos guarani

Artur Barcelos iniciou a fala lembrando que é importante pensar no impacto que o espaço e o território americano provocaram nos jesuítas que aqui chegaram para as missões. Por meio de pesquisa em cartas e relatos em diários, foi possível obter detalhes sinceros dos jesuítas sobre o que viveram e encontram aqui na América. Por isso, como lembra o professor Artur, é importante não esquecer que se trata do relato de espaço compreendido sob o ponto de vista dos jesuítas. Essa descrição do espaço fazia referência às casas, à comida, às roupas. E apontava um fenômeno interessante que ocorria com os padres: a solidão idiomática e o isolamento. “os jesuítas não tinham notícias de ninguém e suas cartas também saíam com dificuldade da América. Então foram perdendo o idioma com o tempo, mergulhados na realidade do local onde estavam”.
Em seguida, o professor André Soares tomou a palavra e destacou a importância da organização social dos guarani, frisando a diversidade deste povo indígena, que não pode ser minimizado como um único grupo humano, mas deve ter reconhecida sua diferenciação cultural. “Precisamos desmistificar o índio como o belo selvagem. Isso tira seu caráter de humanidade e até onde sabemos, todos os indígenas são homo sapiens sapiens, como nós”.
André classifica a complexa organização social guarani em quatro pontos:
- parentesco
- linearidade
- relações harmônicas e desarmônicas, de complementaridade
- terminologia e regras de casamento
O professor explica que existia nesta organização a questão do prestígio social e que pouco se fala nesses pontos quando o assunto é missões jesuíticas. E dispara: “é um erro crasso dos arqueólogos afirmar que a cultura material é a única marca histórica dos guarani”, afinal, segundo André, as diferenças se provam pelas fontes históricas e etnográficas. “O povo guarani tinha uma rede social que se ampliava por quilômetros e que se comunicava. Isso se prova por análise química da cerâmica que produziam”.
Fonte: IHU - Unisinos
A cosmologia guarani: um discurso próprio e intransferível
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Aconpanhe o o XII Simpósio Internacional IHU
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Carta de Repúdio
Nessa terra, os índios têm garantido por Lei cinquenta e quatro mil e cem hectares, uma vez que este território está demarcado e homologado. Porém, isso não é respeitado, resultando em frequentes violências contra as comunidades indígenas. Há 28 anos que esperamos a Nulidade de Títulos que irregularmente foi fornecida pelo então Governo do Estado da Bahia aos fazendeiros, desta forma, enquanto o STF não decide, muitas vidas continuam sendo tiradas.
A situação não é nova, há 16 dias (manhã do dia 10 de outubro) homens fortemente armados, mascarados e com coletes à prova de balas dispararam vários tiros em direção aos indígenas que ocupam esta mesma área conflituosa. Constatamos que nas fronteiras que dão acesso às áreas indígenas foram construídos bloqueios, feitos de paus e pedras, tocaiados por pistoleiros contratados por fazendeiros, impossibilitando os estudantes indígenas de terem acesso à escola. Esta situação paralisou as aulas.
Nós estudantes (Pataxó Hã Hã Hãe, Pataxó e Tupinambá), professores e técnicos do curso de Licenciatura Intercultural Indígena (IFBA – Porto Seguro), acompanhados de lideranças indígenas da região, unimos forças em favor dos direitos indígenas e contra a violência historicamente praticada contra estes povos.
Leia os nomes signatários NOME/ETNIA
Pesquisa Ecológica de Longa Duração é iniciada no Pampa
América Ameríndia e a consciência da humanidade: o diálogo pela aliança da libertação
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Missioneiro recebe medalha do Mérito Farroupilha
sábado, 31 de julho de 2010
Simpósio Internacional sobre a experiência missioneira

Saiba mais sobre o evento no site da Unisinos
(https://www.unisinos.br/eventos/experiencia_missioneira/index.php)
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Vídeo Índio Brasil 2010
O Vídio Índio Brasil 2010 em Porto Alegre vai apresentar uma programação com diferentes filmes, longas e curtas-metragens nas categorias documentário, ficção e animação, compondo uma diversidade de produções realizadas por índios e não índios que mostram, por meio do audiovisual, a diversidade das culturas indígenas de todo o país.
Entee no site: http://www.videoindiobrasil.org.br/
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Comitê Sepé Tiaraju – Canoas/RS

A oficina reuniu militantes sociais, lideranças comunitárias e políticas, como o senador Paulo Paim, o vereador Ivo Fiorotti, o irmão marista Antônio Cechin, o teólogo Luiz Carlos Susin e o cantor missioneiro Pedro Ortaça e representantes do prefeito de Canoas, Jairo Jorge e do deputado Marco Maia. Além de apresentações artísticas, palestras e lançamento de livro, a oficina foi um ato político de comprometimento com a causa indígena. O senador Paim, além de assumir o compromisso de entregar ao presidente Lula um manifesto de iniciativa de Pedro Ortaça, também se comprometeu com a aprovação de emenda com recursos aos Guarani de São Miguel das Missões e para a construção do monumento Sepé Tiaraju em Canoas.
A ideia de criar em Canoas o Comitê Sepé Tiaraju se assemelha ao que aconteceu em nível estadual no ano de 2006, quando, por ocasião dos 250 anos da morte de Sepé, foi instituído o “Ano Sepé Tiaraju”. A proposta é fazer algo do gênero em Canoas para promover atividades educativas e culturais que ajudem a resgatar as raízes missioneiras nas periferias urbanas do município, onde se concentra a população oriunda do interior do Estado. A construção de um monumento de Sepé Tiaraju em Canoas é antigo sonho de Irmão Antônio Cechin e será um marco simbólico neste processo de resgate das raízes missioneiras e estará envolto de outras ações com iniciativa deste Comitê, hoje em fase de gestação.
Podemos dizer que o Comitê Sepé Tiaraju começou a ser gestado durante os preparativos e na realização do FSM em janeiro de 2010. E após o Fórum seguiram os encaminhamentos para criar o Comitê. No dia 2 de julho reuniu-se um grupo de pessoas para concretizar a ideia do Comitê Sepé Tiaraju. Mas até este momento o assunto foi pauta de muitas conversas e alguns fatos concretos. Um dos fatos foi que o vereador Ivo Fiorotti encaminhou, pela Câmara de Vereadores, um Pedido de Providência ao Poder Executivo para que seja feito um estudo de local para edificação de um monumento em honra de Sepé Tiaraju, Herói da Pátria e Herói Guarani Missioneiro Riograndense. O vereador também fez uma Indicação pela Câmara de Vereadores, encaminhada ao Dep. Federal Marco Maia, Vice-Presidente da Câmara dos Deputados, solicitando uma placa “Sepé Tiaraju – Herói da Pátria”, para a Usina Termelétrica Sepé Tiaraju, na Refinaria Alberto Pasqualini, situada no município de Canoas/RS.
A missão do Comitê Sepé Tiaraju é “resgatar as raízes missioneiras (dos índio-descendentes) nas periferias urbanas como elemento de mobilização e organização popular”. E, para isto deverá promover ações culturais, educativas, sociais, políticas e de conscientização, valorizando a cultura, a história e o conhecimento indígena existente na formação do povo e do território rio-grandense.
Contatos: (51) 85463317
E-mail: pilatopereira@gmail.com
Blog: www.comitesepetiaraju.blogspot.com
terça-feira, 20 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Comitê Sepé Tiarajú – Canoas/RS
No dia 27 de janeiro de 2010, na programação do Fórum Social Mundial (FSM), em Canoas, no Parque Eduardo Gomes, aconteceu uma oficina com o tema “As Raízes Missioneiras nas periferias urbanas”. E o objetivo desta era dar o primeiro passo num caminho muito vasto pela frente, que é “despertar as raízes históricas nos descendentes Guarani nas periferias urbanas, como elemento de mobilização e organização”. A oficina foi pensada para além do evento FSM 2010. Ou seja, o tema não se esgotaria no Fórum, mas continuaria a ser refletido com as lideranças comunitárias e o poder público e outras instituições, para viabilizar algo concreto no sentido de alcançar o objetivo colocado na oficina.
A partir das reflexões e debates foram assumidos alguns compromissos concretos no sentido de resgatar as raízes missioneiras, despertar essas raízes históricas nos índio-descendentes das periferias urbanas. E uma das atividades marcantes a ser concretizadas, possivelmente no próximo ano, é a construção de um monumento de Sepé Tiarajú na cidade de Canoas. Mas, não será simplesmente um monumento para venerar um herói, e sim resgatar toda a história que a imagem de Sepé representa para o povo do Rio Grande do Sul.
Para continuar o caminho assinalado pela oficina do FSM foi planejado criar em Canoas o Comitê Sepé Tiarajú, tal como aconteceu em nível estadual no ano de 2006, quando foi criado um comitê, por ocasião dos 250 anos da morte de Sepé, o “Ano Sepé Tiarajú”. A proposta é fazer algo semelhante em Canos para promover atividades educativas e culturais que ajudem a resgatar as raízes missioneiras nas periferias urbanas. A construção do monumento de Sepé Tiarajú será um marco simbólico no processo de resgate das raízes missioneiras e estará envolto de outras ações com iniciativa deste Comitê, hoje em fase de gestação.
As Raízes Missioneiras nas Periferias Urbanas de Canoas
Na celebração dos 10 anos do Fórum Social Mundial, entre tantas coisas lindas e importantes, aconteceu uma oficina sobre as raízes missioneiras. A oficina reuniu o interesse e a presença comprometida de inúmeros lutadores sociais do povo com a sabedoria literária e prática sobre os Índios Guarani e as periferias urbanas do Irmão Antônio Cechin com a alma missioneira do músico Pedro Ortaça e o compromisso político do Senador Paim e do Vereador Ivo Fiorotti.
Também estiveram presentes os familiares do músico Pedro Ortaça, representantes da Via Campesina e inúmeras lideranças comunitárias e autoridades da região. O Prefeito Jairo Jorge, que havia agendado para participar, não podendo chegar a tempo, enviou sua assessoria para representá-lo. E o Deputado Marco Maia, vice-presidente da Câmara Federal, que é autor da lei que reconhece Sepé Tiarajú como Herói da Pátria, manifestou o desejo de comparecer, mas por causa de outros compromissos não pode estar presente.
A oficina sobre as raízes missioneiras nas periferias urbanas ocorreu no dia 27 de janeiro, no Parque Eduardo Gomes, com o objetivo de refletir o tema e assumir o compromisso de despertar as raízes históricas nos índio-descendentes Guarani nas periferias urbanas como elemento de mobilização e organização.
Nem todos os riograndenses sabem, mas o evento fundante do Povo Gaúcho, do Estado do Rio Grande do Sul, não está na presença dos portugueses e espanhóis e sim na experiência cristã socialista, de vida comunitária e de autentico espírito republicano nas Missões Jesuíticas Guarani. No território que hoje se compreende o Estado do Rio Grande do Sul, haviam sete povos perfeitamente organizados numa exemplar vida coletiva, sendo um deles, o povo de São Miguel, que era a capital, na época equivalente ao município de São Paulo.
Porém, um acordo entre as coroas de Espanha e Portugal, o chamado Tratado de Madrid, pretendia, de forma prepotente e autoritária, reordenar os povos e as demarcações de terra. Descontentes com o tal tratado e cientes de que isso representaria o declínio de suas comunidades, os Índios Guarani resistiram o quanto puderam. Entre eles havia o líder Sepé Tiarajú, hoje reconhecido como santo popular e oficialmente como Herói Riograndense e Herói da Pátria. Sepé liderou seu povo na luta até último suspiro guarani, mas tombou em combate numa emboscada, juntamente com inúmeros outros combatentes.
Com a morte de Sepé, em 7 de fevereiro de 1756, há 254 anos, os Guarani que sobreviveram acabaram se espalhando e muitos passaram a conviver com outros pobres descentes portugueses e espanhóis e foi acontecendo o fenômeno da miscigenação. Por isso, hoje, muitas famílias tidas como descendência espanhola e/ou portuguesa, são na verdade também descendentes dos Guarani das Missões Jesuíticas dos Sete Povos. E estes são os pobres que sobreviveram às margens da sociedade gaúcha. Os índios Guarani, outros povos indígenas e outros gaúchos mestiços, assim como afrodescendentes, foram os filhos deserdados, os que não herdaram terras neste Estado.
Sendo vítimas do latifúndio, os descendentes Guarani foram migrando para as periferias urbanas. No entanto, não deixou de correr nas veias o sangue indígena Guarani. E estas raízes históricas, chamadas “Raízes Missioneiras”, dos índio-descendentes Guarani, com certeza influenciaram na vida social, na organização comunitária, na participação popular e na resistência dos pobres nas periferias urbanas, como é o caso das ocupações de terra na cidade de Canoas/RS. O que também se pode dizer de toda a região metropolitana de Porto Alegre, onde se desenvolveram muitos processos de organização e participação popular.
Hoje é de fundamental importância despertar as raízes históricas nos índio-descendentes Guarani que vivem nas periferias urbanas, como elemento de mobilização e organização. Já na década de 70, o Irmão Marista, Antônio Cechin, teve esta intuição e promoveu a Romaria da Terra, que teve sua primeira edição justamente no lugar onde Sepé Tiarajú foi morto em combate, no município de São Gabriel. A Romaria da Terra surgiu como uma ferramenta mística para embalar o povo na luta. Aí vieram as ocupações de terra, as CEB’s, o MST, a CPT e toda uma caminhada de organização e luta embalada pela mística de Sepé Tiarajú e os Índios Guarani.
Este resgate das raízes missioneira não foi uma coisa imposta, mas um despertar de algo que já estava presente no sangue dos índio-descendentes Guarani, sobreviventes nas periferias urbanas. Estas raízes históricas não podem ser sufocadas. Elas devem ser resgatadas para garantir a vida e a dignidade humana. É importante também frisar a dimensão ecológica na cultura Guarani e indígena, de um modo geral. Mais do que recordar em momentos de debate e reflexão, é preciso despertar no cotidiano a herança guaranítica nas comunidades como elemento de mobilização e organização popular.
Em nível de organização dos movimentos sociais, Irmão Antônio Cechin foi um dos pioneiros no resgate das raízes missioneiras. Por isso, Irmão Antônio foi um dos convidados para refletir esta temática juntamente com o músico missioneiro, o Índio Guarani Pedro Ortaça. E, aproveitando a presença do Irmão Cechin, também foi realizado o lançamento do livro “Empoderamento popular, uma pedagogia da libertação”. Publicado pela editora ESTEF, com a colaboração do Instituto Cultural Padre Josimo. E para o lançamento do livro, este presente o teólogo Luiz Carlos Susin, do Fórum Mundial de Teologia da Libertação, que também fez parte do Comitê Ano Sepé Tiarajú em 2006. O livro traz uma coletânea de artigos, palestras, escritos de Irmão Cechin que refletem uma caminhada dos últimos 50 anos, demonstrando o empoderamento do povo que venho se organizando através de uma pedagogia libertadora. Esta obra vem para coroar uma trilogia de publicações ocasionada pela celebração de oitenta anos de vida de Ir. Antônio Cechin.
A partir das reflexões e debates foram assumidos alguns compromissos concretos no sentido de resgatar as raízes missioneiras, despertar essas raízes históricas nos índio-descendentes das periferias urbanas como elemento de mobilização e organização. E também, com a presença de teólogos, religiosos e músicos missineiros e liturgos, foi possível assumir o desafio de criar uma Missa Missioneira.
O Senador Paim garantiu lutar por uma emenda no orçamento da União, que favoreça a vida dos Índios Guarani e a concretização de um antigo sonho de se ter em Canoas um monumento em homenagem a Sepé Tiarajú. O monumento não será apenas para venerar um herói, mas resgatar toda a história e que a imagem de Sepé representa para o Rio Grande do Sul. Para continuar o caminho assinalado pela oficina do FSM foi planejado criar em Canoas o Comitê Sepé Tiarajú.